O regime da Coreia do Norte, sob a liderança de Kim Jong-un, intensificou a repressão contra as igrejas clandestinas no país, alegando ter “praticamente exterminado” essas comunidades. Apesar disso, relatos de desertores e ativistas de direitos humanos indicam que pequenos grupos de cristãos continuam a manter sua fé em segredo.
De acordo com a mídia dissidente DailyNK, baseada em Seul, cerca de 464 pessoas permanecem desaparecidas e 2.600 ficaram feridas devido à repressão. Embora o regime afirme ter total controle sobre as atividades religiosas, ativistas como Song Young-Chae, da Coalizão Mundial para Acabar com o Genocídio na Coreia do Norte, afirmam que ainda existem cristãos praticando sua fé em pequenos grupos ou individualmente, muitas vezes sob risco de perseguição.
A repressão religiosa na Coreia do Norte continua a ser severa, especialmente após a promulgação da Lei de Garantia da Educação da Juventude em 2021, que proíbe totalmente qualquer prática religiosa entre os jovens. Embora o regime permita algumas igrejas controladas, como a Igreja da Santíssima Trindade e a Catedral de Changchung em Pyongyang, especialistas afirmam que essas instituições servem apenas como fachada para mostrar uma falsa liberdade religiosa aos visitantes estrangeiros. A verdadeira prática religiosa é proibida e qualquer envolvimento com a fé cristã pode levar a severas punições, incluindo tortura, trabalhos forçados, prisão e até execução.
A repressão é particularmente intensa nas regiões de fronteira, onde as autoridades locais, como os departamentos de contraespionagem, realizam investigações autônomas e detêm aqueles que são encontrados com materiais religiosos ou que participam de cultos não autorizados. A política de discriminação religiosa coloca os cristãos na “classe hostil”, limitando suas oportunidades de trabalho, acesso à educação e participação em atividades sociais.
Apesar de o regime tratar a religião como uma ameaça ao seu controle, muitos cristãos no país continuam a se reunir em segredo, enfrentando riscos imensos em suas tentativas de manter sua fé viva. Eunju Kim, uma ativista que fugiu da Coreia do Norte, relatou que, embora o governo norte-coreano tenha criado uma fachada religiosa, alguns exilados e aqueles que mantêm o contato com o cristianismo clandestinamente, especialmente após experiências em países como a China, continuam a se reunir em segredo.
Em 2024, pelo menos três missionários sul-coreanos continuam presos após mais de uma década de encarceramento, evidência das consequências extremas enfrentadas por aqueles que desafiam o regime e tentam compartilhar sua fé.
A repressão religiosa na Coreia do Norte segue sendo uma das mais severas do mundo, com a população cristã sobrevivendo em um ambiente onde qualquer ato de fé é encarado como uma ameaça direta ao regime totalitário vigente.
